Estudo revela que o país tem potencial para liderar a nova economia verde, mas precisa avançar em refino, tecnologia e política industrial para capturar valor na cadeia global
São Paulo, 22 de janeiro de 2026 – O Brasil tem uma das bases geológicas mais ricas e diversificadas do planeta, mas ainda ocupa papel limitado nas cadeias de valor globais de minerais críticos, insumos essenciais à transição energética, como lítio, níquel, grafita e terras raras. De acordo com o estudo “Brasil na Era dos Minerais Críticos: Potencial, Desafios e Rotas para o Protagonismo”, realizado pela PwC Brasil, o país detém 23% das reservas mundiais de terras raras, mas representa apenas 1% da produção global, um contraste que revela o desafio de transformar potencial geológico em protagonismo industrial.
A transição energética e a corrida global por autonomia tecnológica impulsionam uma demanda sem precedentes por minerais estratégicos. Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda por lítio pode crescer até 42 vezes até 2040, enquanto grafita, cobalto e níquel devem registrar aumentos entre 20 e 25 vezes. Nesse cenário, o Brasil desponta como um fornecedor estratégico, com reservas expressivas de níquel, manganês, nióbio, grafita e lítio, além de uma matriz energética majoritariamente renovável.
De acordo com a firma, a realização da COP 30 em Belém, em 2025, é apontada como uma oportunidade histórica para o Brasil consolidar sua imagem de fornecedor sustentável e confiável de minerais críticos.
“O país tem todas as condições para se posicionar como líder global na nova economia verde, desde que avance em infraestrutura, tecnologia e regulação. A oportunidade é transformar o papel de exportador de commodities em referência em inovação e sustentabilidade”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da indústria de Energia e Serviços de Utilidade Pública da PwC Brasil.
Desafios Estruturais e Oportunidades
O estudo mostra que o Brasil ainda se concentra nas etapas de menor valor agregado, enquanto as fases de refino, transformação química e manufatura avançada permanecem pouco desenvolvidas. A diferença de retorno é expressiva: uma tonelada de espodumênio (lítio bruto) é exportada por cerca de US$ 800, enquanto o hidróxido de lítio grau bateria pode superar US$ 8.000 por tonelada.
Entre os principais gargalos estão a falta de plantas de refino, a burocracia e a ausência de uma política industrial estruturada, mostra o levantamento da consultoria. Por outro lado, o país apresenta vantagens competitivas como a estabilidade institucional relativa, a base mineral diversificada e a experiência consolidada em setores eletrointensivos, que podem ser articulados à nova cadeia de valor dos minerais críticos.
Investimentos em Expansão
O setor mineral brasileiro está em rota de crescimento. O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima R$100 bilhões em investimentos entre 2025 e 2029. O relatório destaca projetos que quadruplicaram a produção na região de Minas Gerais e investimentos para ampliação da capacidade produtiva.
O mercado de fusões e aquisições (M&A) também reflete o interesse crescente no tema. Segundo o estudo da PwC Brasil, as transações no setor de mineração no Brasil cresceram, em média, 26% ao ano entre 2021 e 2024, impulsionadas pela busca global por minerais estratégicos.
Caminhos para o Protagonismo
O relatório da PwC Brasil propõe um conjunto de estratégias para que o país converta potencial em liderança global, como a criação de polos industriais de refino e manufatura, ampliação de linhas de financiamento específicas (BNDES, Finep), regulação estável e parcerias internacionais com países como EUA, Alemanha e Japão.
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